Ano Eleitoral
A novilíngua não fala mais 'Governo Federal', agora é 'Governo do Brasil'.
Encontramo-nos novamente em período de eleições. Entristece-me bastante observar não somente a situação política do Brasil, mas a situação política do mundo.
A moeda fiduciária
É impossível investir no futuro enquanto o governo paga mais caro pelo dinheiro. Não somente a taxa de juro atual é impeditiva de projetos concretos de vida que carregam menor preferência temporal, mas mesmo que o juro fosse menor, a corrupção financeira da moeda fiduciária permanece um problema terrível e constante em toda e qualquer atividade econômica. É muito triste, porque a corrupção da moeda fiduciária quebra, primeiramente, a confiança nos índices econômicos e na capacidade de se planejar para o longo prazo de maneira autônoma. Quando falo em escravidão financeira (imagino que já tratei disso aqui), ela surge precisamente desse ponto. Os grandes empreendimentos de sucesso, inovações tecnológicas, são possíveis somente na medida em que há algum incentivo fiduciário por trás. Foi-se o tempo em que os indivíduos, em sua soberania e autonomia, faziam o sucesso do empreendimento de suas vidas a partir de seus esforços próprios ou da subsidiariedade de sua família ou de sua comunidade. Pensar isso, no mundo moderno fiduciário, e, ainda pior, pensar isso no Brasil, em replicar o modo de agir individual e coletivo que elevou a humanidade a níveis de riqueza, tecnologia e segurança alcançados não é mais possível. Você vai comer insetos, não terá nenhuma propriedade, e será feliz.
A cultura fiduciária
A perda de confiança gerada pela moeda fiduciária atravessa as relações puramente econômicas. Isso é possível avaliar também em outras épocas da história, nos períodos em que a fraude monetária derrubou impérios toda vez que estes diluíam o valor de suas próprias moedas, cunhadas em metais preciosos, adicionando-lhes outros metais e impurezas sem valor. Coincidem esses mesmos períodos com guerras, destruições, doenças e caos absoluto nas relações interpessoais e na sociedade civil. Um exemplo muito citado nas salas de aula é a queda do Império Romano, mas um exemplo mais recente desse fenômeno é a República de Weimar. O Império Romano se desintegrou em conquistas bárbaras, invasões e destruição. A República de Weimar se desintegrou em estados totalitários e a maior guerra que o mundo já viu. E hoje em dia? No que nos desintegraremos? Warlords de inteligência artificial? Algum congresso marcial patrocinado pelo Fórum Econômico Mundial, pela Organização Mundial da Saúde, ou por quem quer que seja?
O bote salva-vidas
Certamente isso não está no palco do debate democrático desta eleição, e dificilmente estará nas próximas. Todos estão imersos na corrida dos ratos potencializada por este sistema repleto de processos corrompidos a partir da moeda fiduciária e das instituições do Estado Moderno.
É uma tristeza grande, sim, mas também representa uma oportunidade para o desenvolvimento das qualidades humanas e das nossas virtudes para atravessar tempos como estes.
O apelo à mudança não é direcionado às massas. A mudança também segue o princípio da subsidiariedade. Sobreviver a esses períodos requer ações individuais e mudanças individuais, e essas dependem somente de nós mesmos, e não de uma eleição ou outra.